quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Basta de hipocrisia: Lobato presidente, Emília vice!!


Desde muito cedo sempre me interessei por literatura brasileira. Mais precisamente pela fase regionalista, que vigorou no Brasil com o amadurecimento do Modernismo (depois da famosa Semana de 1922) e atingiu o seu ápice a partir de 1945, tendo à frente nomes de peso, como Erico Veríssimo, Rachel de Queirós, Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego, entre tantos outros gênios da palavra.

Esses autores modificaram minha vida, meus gostos, minha maneira de pensar e ler o mundo, de me relacionar com as pessoas. A partir de cada um deles, conheci um pedaço da minha cultura, da minha identidade e, sobretudo, meu fascínio pela literatura, emaranhados na complexidade dos personagens de ficção: suas intrigas, amores, modos de vida, nuances no falar, peculiaridades no agir. Tudo isso impulsionou o meu espírito a quem chamo hoje de Caio. Por isso alimento, por esses mestres, um ufanismo mal-disfarçado, um interesse descomedido, uma obsessão saudável, incontrolável.

Mas, como se sabe, nem tudo são flores nos jardins da hipocrisia. É uma pena que as academias de literatura, que deveriam representar com louvor esses monstros sagrados, atribuindo-lhes imortalidade e oferecendo-lhes homenagens periódicas, saraus literários e menções honrosas, se prestem ao ridículo papel de valorizar aqueles que quase nada ou nada contribuíram para o amadurecimento da Literatura Brasileira.

Para se ter uma ideia, o senador Fernando Collor de Mello acaba de ser nomeado membro da Academia Alagoana de Letras pela inédita votação de 22 votos a favor, 08 brancos e nenhum contra ou nulo. O atual presidente da AAL, Bispo D. Fernando Lório, deslumbrado, afirmou que nunca havia presenciado uma votação tão expressiva em outros tempos. Mas o problema, amigo leitor, é que Collor, em toda a sua vida política, jamais publicou um livro, um conto, um romance. Sua nomeação se baseou em artigos escritos na imprensa local (da qual o seu jornal impresso, a Gazeta de Alagoas, é o maior representante).

Trocando em miúdos, a importância que Collor conferiu à literatura brasileira é a mesma importância que o Sarney dá para a opinião pública ou para a ilegalidade de nomear parentes para o Congresso: nenhuma. Aliás, o próprio Sarney, bem como Roberto Marinho e Paulo Coelho (para ficar apenas em alguns absurdos) já foram eleitos “imortais” da Academia Brasileira de Letras. É mole ou quer mais?!

Pode parecer exagero o que vou dizer, mas colocar o nome de Fernando Collor, no mesmo contexto e em pé de igualdade com Graciliano, Lêdo Ivo, Jorge de Lima e tantos outros - que levaram a literatura alagoana às principais rodas literárias do mundo -, é quase uma profanação, um tapa na cara do apreciador da boa palavra, uma afronta ao mínimo senso de estética e crítica literárias.

As academias de literatura desse país há muito tempo perderam o seu valor. Posicionam-se contra qualquer forma de modernização do idioma e mantêm um conservadorismo obsoleto e voluntário. Se elas insistem em não respeitar a nossa inteligência, o desprezo é a melhor moeda de troca que temos a oferecer. Certo estava Monteiro Lobato, que se recusou a fazer parte desse conclave de esnobes e oportunistas, que são a ABL e suas filiais.

Por isso, amigos, pelo fim da hipocrisia na literatura, votemos em Lobato para presidente. Emília vice!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A música brasileira está mais viva que nunca!

Caros leitores do blog do meu amigo Caio Lima, invado esse espaço (a pedido do dono... rsrsrsr) para comentar o 39º FENAC (Festival Nacional da Canção), do qual estou participando. Primeiramente gostaria de agradecer pelo espaço cedido, e pela força que o Caio sempre me dá na divulgação das minhas músicas! Valeu, Caio!!

Bom, o FENAC é um dos mais tradicionais e disputados Festivais de música do Brasil. Nascido em 1971 como Festival da Canção de Boa Esperança, atualmente o evento é realizado nas cidades de Extrema, Três Pontas, Varginha, Formiga, Alfenas e Boa Esperança (todas em Minas Gerais). Cada cidade recebe uma etapa do festival escolhendo as 3 melhores músicas para participarem da final em Boa Esperança.

Esse é o primeiro ano que participo. Só em ser selecionado já havia ficado muito feliz. Participei das etapas de Varginha e de Extrema e pude constatar que a MPB está muito viva, muito produtiva e bela como nunca. Me ver entre aqueles talentos brasileiros fora da grande mídia me deixou muito orgulhoso de mim mesmo. E ter uma das minhas músicas selecionadas para a final em Boa Esperança foi inexplicável!

Gostaria nesse espaço de destacar alguns dos grandes nomes que pude ouvir nas etapas que participei do FENAC: Grupo Voz (www.myspace.com/grupovoz), Miltinho Edilberto (www.myspace.com/miltonedilberto), Tavinho Limma, Joca Perpignan (www.myspace.com/jocaperpignan), Ito Moreno (www.myspace.com/itomoreno), Luiz Ferrar, Junior Almeida, Banda Sissibonaflá (www.sissibonafla.com.br), Isabela Morais, Cris Dalana (www.myspace.com/crisdalana), entre muitos outros artistas fantásticos. Vale a pena conferir.

Além do festival, as cidades-sedes respiram música o dia todo, com shows acontecendo nas praças e nos bares. Fica aí o convite para quem aprecia a boa música brasileira: dias 4, 5 e 6 de Setembro - a Final do FENAC em Boa Esperança. Conto com a torcida de todos!

Grande Abraço!

Novos tempos, novos olhares!!

Se ultimamente estamos sendo bombardeados com péssimas notícias na imprensa: gripe suína; ataques de pelanca do Collor e do Renan Calheiros; os atos secretos do Sarney e sua neta interesseira e a famigerada diputa Edir Macedo x Rede Globo (o sujo falando do mal lavado), eis que lhes apresento, enfim, uma boa notícia:

A partir de agora teremos novidades no Momento Livre. E novidade das boas! Meu amigo e grande músico carioca, Matheus Nicolau, nos brindará semanalmente com o seu ponto de vista crítico-criativo do universo da música no Brasil. Boa música, naturalmente.

Espero que todos o recebam de braços abertos e ouvidos apurados. Sua presença muito enriquecerá as nossas leituras.

Bem-vindo ao Momento Livre, Matheus!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ciberbullying: uma nova praga virtual

A velha prática da opressão física entre estudantes durante o período escolar parece caminhar por novos caminhos e se adequar perfeitamente ao advento das novas tecnologias no mundo contemporâneo. Com o avanço tecnológico e a forte proliferação de sites de relacionamento na internet, a opressão física e psicológica, comumente praticada pelos “mais fortes” sobre os considerados”mais fracos” e sem motivos aparentes (o bullying), demonstra grande capacidade de adaptação e ultrapassa os limites do mundo real para atingir os ambientes virtuais.

Um exemplo notório desse novo fenômeno, que os especialistas denominam “Ciberbullying”, acontecera recentemente no Brasil, quando os pais de cerca de 12 meninas, entre 12 e 14 anos, denunciaram abusos físicos e psicológicos que suas filhas vinham sofrendo por um grupo de moças da mesma faixa etária, supostamente organizadas numa comunidade do Orkut intitulada “Bonde do Capeta”. O objetivo das agressoras seria aplicar “um corretivo” em meninas que fossem bonitas, loiras e estudiosas. As ações se caracterizavam por emboscadas em grupo no momento em que as estudantes – que se encaixassem no perfil – saiam da escola, ou com frases ameaçadoras no quadro-negro, aconselhando que as vítimas se despedissem dos pais, “pois o dia de sua morte estaria próximo”.

A polícia já iniciou as investigações, descobriu a identidade de algumas das transgressoras e excluiu a comunidade da internet, mas as ações violentas ainda não cessaram por completo. A maior preocupação das autoridades é que essa corrente se propague ainda mais e faça novas vítimas, podendo inclusive acarretar conseqüências fatais.

Nos Estados Unidos, onde a prática do bullying é freqüente e vários desfechos trágicos já foram registrados, um novo projeto de lei para adoção de medidas mais enérgicas, em caso de comprovação de ameaças violentas pela internet, está sendo apreciado no Congresso Nacional. A senadora californiana Linda Sanchez, autora do projeto “Megan Meyer” (em homenagem ao estudante norte-americano que se suicidou em 2007, vítima do Ciberbullying), já conta com o apoio de 14 deputados. Entretanto, ainda precisa enfrentar a oposição de parte dos congressistas, que indicam pontos do projeto que possivelmente feririam o direito à liberdade de expressão dos internautas, por ser difícil diferenciar o que é opressão virtual de “discussões relevantes”, próprias da linguagem do público jovem.

O bullying é considerado por especialistas um problema sério por acarretar consequências futuras graves tanto para os agressores quanto para os agredidos. No caso dos agressores, os jovens podem desenvolver uma personalidade violenta e opressora, por acreditarem que as relações sociais devem ser mediadas pela força física; para os agredidos, os prejuízos são ainda maiores: mania de perseguição, complexo de inferioridade e dificuldades de relacionamento com o próximo estão entre os principais pontos negativos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ética no Jornalismo Esportivo?

Essa semana eu estava assistindo, junto com o meu cunhado, à partida entre Cruzeiro x Grêmio pelas semi-finais da C. S. Libertadores, quando ficamos assombrados com o modo como José Roberto Wright (comentarista de arbitragem da Globo) tratava verbalmente o colega de profissão que apitou a partida.

Ao comentar a postura do árbitro chileno Henrique Osses na condução do confronto, o comentarista não mediu a força dos adjetivos ao qualificá-lo, com veemência e sem nenhum pudor, de INCOMPETENTE, FRAQUÍSSIMO e DESQUALIFICADO para apitar uma jogo daquela envergadura. Essas palavras não foram direcionadas a mim, mas, como telespectador, me senti constrangido ao perceber que Wright não demonstrava nenhum respeito pelo colega de profissão. Não que eu ache que ele devesse evitar críticas ao trabalho executado pelo juiz em campo, longe disso, mas que ele não deveria perder de vista o bom senso na leitura do jogo.

José Roberto Wright não precisa provar a mais ninguém o conhecimento em arbitragem que adquiriu ao longo de uma carreira escrita com competência, o que o elevou à categoria de árbitro de Copa do Mundo (apesar de algumas partidas polêmicas no currículo). Mas ele certamente teve dificuldades no início da trajetória e não foram críticas como as feitas ao Osses que o fizeram despontar na profissão.

As últimas notícias extraídas do futebol brasileiro, como o imbróglio envolvendo clubes e técnicos; a ausência injustificada de jogadores aos treinos obrigatórios; comentários racistas dentro de campo, entre outros, levam à reflexão de se já não passou da hora de revermos os conceitos de ética nas relações pessoais e profissionais no universo do futebol e do esporte como um todo.

Penso que Ética é mais que uma questão de saber se relacionar com o próximo. É uma questão de princípios, de caráter. Quando isso fica impresso em nossa personalidade, a boa conduta nas relações com os iguais acontece naturalmente.